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Horizontes de investimentos

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Horizontes de investimentos

O nosso horizonte de investimento favorito é: para sempre. Warren Buffett

Se todo investidor entendesse esse conceito, não teríamos tantos desentendimentos, frustrações e perdas financeiras!

Uma boa escolha de horizonte de investimento é a diferença entre fazer uma boa alocação com o produto correto relacionado, geralmente trazendo eficiência e ganhos financeiros no prazo estipulado, ou perder dinheiro fazendo uma péssima correlação e não respeitando o prazo ideal previsto.


O Tempo

Parece simples, pois no primeiro momento, entender o que é curto, médio e longo prazo, é mais fácil, o tempo é uma variável já cotidiana, faz parte da nossa formação como ser humano. Aprendemos desde a tenra idade, a identificar os horários e fases do dia, manhã, tarde, noite, 9, 12, 15, 18, 21h. Os ponteiros do relógio…

Aliás, alguém sabe me dizer se isso ainda é ensinado? Acabo de me deparar com algo que simplesmente talvez não deva mais existir, aprender os ponteiros do relógio! Ou se existe, talvez não da forma que eu aprendi quando estava no ensino infantil! O tempo passa… literalmente!

Porém, no âmbito dos investimentos, esse conceito simples, amplamente conhecido, começa a ficar confuso. Talvez para você, longo prazo em investimentos seja 2 anos, mas para mim, 2 anos é quase um curto prazo! E ai se iniciam os desentendimentos!

Para quem leu a newsletter da semana passada – A ilusão de ótica nos investimentos, já entendeu como classificamos o tempo em investimentos, e isso precisa ficar muito claro e marcado em você daqui em diante:

Até 1 ano de aplicação: curto prazo

Entre 1 e 5 anos: médio prazo

Acima de 5 anos: longo prazo

Vai por mim, essa é a melhor forma de se considerar os prazos nas suas alocações financeiras, no momento do investimento.


A Liquidação

Maravilha, entendido o prazo, então agora quando eu ver um produto com prazo de resgate abaixo de 1 ano, ele é uma aplicação de curto prazo. NÃO!!

Esse prazo de resgate, no mercado nós chamamos de liquidação, que na prática é dividida entre cotização e liquidação financeira, mas considere o prazo total desde o pedido de resgate até o valor em si cair na sua conta.

Liquidações são representadas em dias úteis ou corridos (ou a combinação deles) e geralmente tem a nomenclatura igual abaixo:

D0, D1, D2, D30, D60…

Ou seja, se eu investi em algo que tem liquidação D0, se eu pedir hoje o resgate, ele cairá ainda hoje, respeitando os limites horários de cada instituição claro. Agora, algo que seja D2, irá demorar 2 dias úteis a partir do momento que eu pedi a saída, D+2, o dia do pedido D, mais 2 dias úteis, no segundo dia útil eu verei o dinheiro no saldo em conta.

Quando falamos de alguns produtos com vencimento, ai fica mais fácil, sabemos exatamente a data de “pagamento” para a nossa conta, então é só diminuir da data que estamos no momento que observamos a aplicação, assim teremos o prazo de liquidação.

Ponto importante aqui, nem todo produto com vencimento não tem liquidez! Ou seja, nem todo produto para 2030, 2050 não tem a possibilidade de saída hoje mesmo. Existem vários produtos com vencimentos longos que possuem liquidez diária. A pergunta é, faz sentido sair agora? Quais as condições de mercado atuais, e mais, veremos no último tópico, qual foi o comprometimento que tive quando entrei nessa aplicação tão longa?


Os Produtos

Aqui começa outra grande confusão. Todo produto ou veículo financeiro tem uma regra diferente de liquidação. Isso é muito, mas muito importante! Muita gente não se atenta a isso e ainda imagina que tudo o que consta na sua carteira de investimentos está ali disponível a qualquer momento, como se fosse a antiga e temerária poupança, ou qualquer investimento mais de entrada do banco, como as aplicações de liquidez diária.

Pelo contrário, quando vamos evoluindo em termos de produto financeiro, taxa de rentabilidade, é bem provável que você tenha diferentes regras de prazos para resgate. Ainda mais em um país como o Brasil, onde infelizmente nossos volumes de negociações são extremamente baixos comparados a outros países, a tal da liquidez é precária e por isso muitos veículos precisam ter prazos mais longos, para desmontar a sua posição e te pagar o resgate. Cabe aqui um texto só sobre liquidez, tem muita coisa legal para discorrer sobre isso!

Então é comum termos títulos de renda fixa com prazos de vencimentos de 1, 2, 5, 7, 10, até 40 anos! Sim, títulos públicos tem vencimentos até 2065 hoje em dia! Temos muitos créditos privados com prazos entre 10 e 15 anos!

Mas até ai tudo bem, o entendimento ainda é fácil. Ora, uma renda fixa de 1 ano é de curto prazo, já uma de 7 anos é de longo prazo, ok.

Agora, quando vamos para o mundo de fundos de investimentos, ETFs, ações, criptoativos, e outros alternativos, ai temos a tela azul do windows! A turma trava.

Existem vários prazos de liquidação em fundos e não necessariamente eles estão ligados ao tempo ideal que você deveria ficar naquela aplicação! Alias, em sua maioria não estão! Um fundo de renda variável de 60 dias de prazo de resgate (do pedido de saída até o pagamento efetivo demora 60 dias), se olhar na classificação que fizemos, estaria no curto. Acontece que renda variável, ações geralmente, não são investimentos de curto prazo! São com toda a certeza longo prazo. Ou seja, 5+ anos. Então mesmo tendo essa facilidade de sair da posição em 60 dias, as vezes até 30, jamais deveriam ser considerados investimentos de curto prazo.

Quando vamos para o mercado de bolsa, onde as ações são negociadas em lote ou individualmente, isso piora ainda mais! Em bolsa o prazo de resgate de ações são 2 dias úteis! Imagina a cabeça do investidor iniciante? “Eu li que curto prazo é menos de 1 ano, então se ações tem liquidação de 2 dias, ok, posso considerar isso no meu caixa de curto prazo”. Porém, o investimento nessa classe deveria preconizar um prazo de longo prazo, ou pelo menos de médio prazo! Considerar que em menos de 1 ano você conseguiria tirar algum lucro com ações é no mínimo irresponsável da sua parte. Pode até acontecer, mas muito provavelmente você ficou a mercê do timing e da sorte. Não, você não é um gênio do mercado financeiro, sinto informar, já me senti assim, acredite.

Ou seja, a facilidade de resgate do investimento não é justificativa para classificar o ativo ou veículo em um horizonte de investimento, e sim, a sua característica, principalmente relacionada a classe de ativo e a sua oscilação média, a famosa e temida volatilidade.


O Comprometimento

Por fim, o ultimo ponto a ser considerado, e para mim a cereja do bolo, o mais importante de todos, o comprometimento!

O seu comprometimento com você mesmo. No final da minha primeira newsletter eu trouxe esse assunto, e isso não só é importante para começar algo, e ter clareza de como investir, mas para categorizar os produtos e horizontes de investimentos da sua carteira.

Quais são os seus objetivos no seu planejamento financeiro? Aposentadoria, compra de imóvel, viagem, etc. Isso irá definir como poderá dividir a sua alocação patrimonial e assim encaixar os produtos corretos para cada horizonte de investimento de cada objetivo! Sim, diferentes objetivos tem horizontes distintos.

Exemplificando: Quero me aposentar, ou seja, objetivo na maioria das vezes de longo prazo, 10, 20, 30 anos! Sendo assim, se a minha carteira só for para esse objetivo (obviamente não é), eu posso ter um peso bom em investimentos de longo prazo, 5+ anos, como títulos de renda fixa alongados, fundos de ações, criptoativos, entre outros.

Mas, contudo, entretanto, todavia, de nada adianta eu formatar e começar essa carteira, e não ter esse comprometimento com o passar do tempo. Explico, passaram 2 anos, aparece o imóvel dos meus sonhos, lindo, perfeito, com face norte, eu abro meu aplicativo financeiro e vejo a minha carteira incrível, rendendo bem (ou as vezes nem tanto), faço uma conta de 2+1-2*5/8 e vejo que vai dar, só resgatar tudo e pagar o imóvel… Porém quando você ver na prática, você estava com produtos de prazo mais alongados que serão penalizados se decidir antecipar, fundos de ações e criptoativos que estão passando por uma janela ruim (leia a ilusão de ótica do mercado para entender), e a sua conta começa a não fechar mais, você fica triste, p. da vida com o profissional que te ajudou e não quer mais saber de investimentos.

Faltou comprometimento consigo mesmo(a)! Se você combinou algo consigo mesmo, aplicou da forma correta alinhando os horizontes, não adianta mudar bruscamente no meio do caminho, geralmente não dará certo! Então entenda os horizontes e se comprometa com as decisões tomadas.

No final da linha, se você alinhou corretamente objetivos com produtos e horizontes de investimentos, tenho certeza que todo o esforço, suor, disciplina, irá valer a pena e os objetivos serão alcançados!


Vejam, de um tema simples desdobramos e trouxemos muitos outros pontos, que são complexos muitas vezes, mas fazem toda a diferença no momento da decisão de investimento e principalmente do pós, do acompanhamento dos investimentos!

Espero ter trazido um pouco mais de luz nesse assunto e se ficou alguma dúvida ou se quiser falar sobre algum caso específico, comenta aqui abaixo que será um prazer discutir contigo!

Se você chegou até aqui, gostou do texto e aprendeu alguma coisa, compartilha com seu amigo(a) e deixa um joia para eu saber que estou no caminho!

Te espero no próximo texto!

Grande abraço.

frw

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Felipe Werka
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