Não invista em cripto
Vim pelos ganhos, fiquei pela revolução.
Eu já atingi a Regra das 10 mil horas, tanto para cripto, como principalmente para investimentos. Apesar de, tanto cripto quanto investimentos, estarem em constante evolução, alguns pontos se repetem e começam a ficar batidos. Já parei para refletir se é somente uma questão de instinto primitivo de seres humanos ou psicológico, creio que boa parte é, ou se é fruto do sistema econômico vigente junto com o “diz que me diz” do efeito de rede de pessoas que ouvem falar de um assunto, pescam algo rápido e fácil de assimilar, mas não se aprofundam em nada.
Quero trazer os pontos mais comuns que eu recebi de negativas, de centenas de investidores, ao longo desses últimos 5 anos falando e sugerindo cripto, principalmente Bitcoin claro, como um ativo de investimento.
Bilhete Premiado
Não invista em cripto se você está buscando o bilhete premiado, se você acha que esse é o caminho para um retorno alto e rápido. Você provavelmente vai perder todo ou boa parte do capital empenhado. Aliás, não invista em nada pensando assim.
Esse é o principal motivo que diversos golpistas utilizam para roubar o seu dinheiro. Inclusive, o pano de fundo muda de ciclo em ciclo, hoje ainda se utiliza muito cripto, já foram ações, pedras preciosas, ovos de avestruz, etc., mas a promessa é sempre a mesma, um retorno muito bom, bem acima da taxa básica brasileira, geralmente em dias ou meses. A Amazon não cresceu até o patamar atual da noite para o dia. Cripto já tem um histórico, mas ainda se assemelha muito ao início da internet, ou ao início de uma Meta, Google, por exemplo. Então se você não tem horizonte de médio/longo prazo (última newsletter), esse lugar não é para você, e não adianta falar que investe para o futuro só para se adequar a rodinha de amigos, sendo que no fundo precisará daquele capital a qualquer momento, você não vai aguentar, acredite.

Outra Moeda
Não invista em cripto se você acha que, por já existir o dólar americano (US$), o real brasileiro (R$), ou outras moedas por ai, ninguém irá utilizar as “moedas digitais”. Essa equiparação não é verdadeira e quem se utiliza dela para justificar ou te fazer acreditar que são a mesma coisa, não entendeu nada ainda sobre o que cripto resolve e se propõe. Eu entendo a confusão, a representação digital pode ser a mesma, alguns números em algum lugar de consulta, mas acredite, a tecnologia é bem diferente.
Aqui também cabe uma distinção bem importante: criptomoedas governamentais e criptomoedas nativas. Sim, os governos gostaram da tecnologia e da brincadeira, e já existem países rodando moedas nacionais em blockchain, as famosas CBDC (Central Bank Digital Currency), e vários outros estudando e discutindo implementar. Cabe um alerta bem importante nesses casos, a tecnologia é superior, não tem como negar as questões de controle, transparência, históricos. Agora note a palavra controle, ai começa também um lado potencialmente negativo, dar todo esse poder de controle ao Estado pode ser um tiro pela culatra.
Já as criptomoedas nativas, os tokens necessários para transacionar em uma blockchain ou outra específica, ou até mesmo algum token que talvez possa vir a ser uma moeda aceita globalmente, como já é o caso do Bitcoin muitas vezes, tem objetivos e controles bem distintos!
Vamos nos ater ao Bitcoin nesse momento, que tem uma dinâmica bem diferente das várias moedas governamentais, moedas fiduciárias, onde depositamos nossa confiança. Essa dinâmica aliada à tecnologia é o que trouxe todo esse valor percebido no Bitcoin até hoje, e o que será percebido no futuro também. Sua oferta inelástica – existirão no máximo 21 milhões de bitcoins, sua política monetária – inflação muito baixa e que tende a ser deflacionária (motivo pelo qual bem provavelmente não se torne uma moeda de curso mundial e sim uma reserva de capital), e sua forma descentralizada de validação e guarda de informações, também totalmente transparente. Tudo isso conferem caraterísticas muito mais interessantes e melhores do que as opções de moedas, ou até mesmo reservas de capital existentes.
Por fim, outro ponto ainda mais importante, no mundo cripto nem tudo são moedas! Aliás, a maioria dos tokens não funcionam como moedas! Existem mil e uma utilidades. Espero algum dia escrever sobre isso inclusive.

Fraudes Financeiras
Não invista em cripto se você acha que a maioria das pessoas que utiliza essa classe a faz para esconder dinheiro, ocultar a transação, ou faz isso para lavar dinheiro e/ou transaciona somente quantias financeiras fruto de fraudes.
Cripto e consequentemente blockchain, na maioria dos casos é exatamente o oposto disso. É uma forma mais transparente, verificável e rastreável do que a que temos hoje no sistema tradicional. Não é à toa que temos observado vários países migrando seu papel moeda, dinheiro fiduciário, e transações, para dentro de blockchains. Mais alguns anos você estará utilizando o Real digital no Brasil e nem perceberá que será transacionado via blockchain.
Já existem profissionais especializados em rastrear transações e bloquear wallets (carteiras digitais) que participaram de esquemas de furto ou golpes envolvendo criptoativos. Além de serviços que “pintam” os tokens que foram furtados ou tem origem fraudulenta, como nos caixas eletrônicos do Brasil, na época das explosões por bandidos, onde foi inserido um recipiente de tinta, e no momento da explosão pintavam todas as cédulas para invalidar o seu uso posterior.

Inclusive, assim como o KYC (know your customer), o famoso “conheça seu cliente”, processo onde as empresas verificam a identidade dos seus clientes, em cripto começamos com o que estão chamando de KYT (know your transaction), ou “conheça as transações”, processo para identificar se uma wallet participou de algum esquema fraudulento, e assim não aprová-la para o uso em algum protocolo ou instituição.
A tal da Custódia
Não invista em cripto se você ainda não entendeu sobre como se faz ou quem faz a guarda dos seus tokens, a tal da custódia. Hoje já existem vários intermediadores que facilitam esse link inicial do mercado tradicional e mercado cripto, mas é necessária uma análise prévia e uma estratégia de mitigação desse risco. Ademais, se você por influência de alguém decidir partir para auto custódia, pense mais de 10 vezes se realmente isto é para você e se entendeu de fato a dinâmica e funcionamento de uma carteira cripto, seja ela uma hot wallet ou cold wallet.
Tenho visto muita gente esbravejar “liberdade” ou “not your keys, not your coins”, e não ter a mínima ideia de como fazer para guardar os seus criptoativos, ou pior, não ter a mínima noção de tecnologia, computadores, celulares… Fora ter um comportamento altamente hackeável, como eu chamo, nos seus dispositivos. Não adianta entender sobre endereço de carteira, comprar a melhor carteira de criptoativos existente, e ter todos os softwares do seu computador piratas, acessar qualquer site existente, abrir .pdf sem checar o destinatário, abrir todo arquivo que recebe no WhatsApp, etc.
Os golpes cibernéticos estão muito avançados! Difícil nos darmos conta que estamos infectados. E se você praticar auto custódia e ter sua carteira drenada, não tem para quem ligar, não tem 0800, perdeu, já era.
Existem formas de mitigar esses riscos, mas esse pode ser um papo para outro textão como esse. Já diria o tio de um super-herói conhecido:
“Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades.”

O fato é, sim, cripto é um mundo incrível e transformador, é uma tecnologia e mudança que está acontecendo agora, em baixo dos nossos narizes. É um privilégio nossa geração estar vivenciando isso.
Já é um mundo de: moedas digitais, contratos inteligentes, representação digital de bens físicos, títulos de comunidades e/ou obras de arte irreplicáveis, e até mesmo cotas de sociedades autônomas descentralizadas. Claro que grandes mudanças assustam, nos colocam na defensiva, mas esse novo poder, essa responsabilidade, é o que nós como sociedade deveríamos estar combatendo e reclamando todos os dias.
Infelizmente vejo justamente o contrário, Governos, grandes empresas, se utilizando de cripto, da tecnologia, para continuar centralizando tudo. Em partes faz sentido, em partes perdemos muitas oportunidades de mudar significativamente nosso papel na Sociedade. Mas temos ainda um grande sobrevivente no meio disso tudo: Bitcoin. Pode espernear, pode tentar o que for, o protocolo segue intacto, descentralizado em partes, e ainda na mão da maioria.
No fim, é muito mais arriscado não ter cripto no seu patrimônio para o futuro, do que ter uma quantia de cripto para o futuro.
Acredite, você irá me agradecer.
Se você chegou até aqui, primeiro o meu parabéns de sempre, você faz parte de uma pequena fatia da população. E se gostou do texto e aprendeu alguma coisa, compartilha com seu amigo(a) e deixa um joia para eu saber que estou no caminho!
Te espero no próximo texto!
Grande abraço.
frw
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