A ilusão de ótica nos investimentos
Ver ou não ver, eis a ilusão.
Eu tenho certeza que você já caiu na ilusão de ótica do mercado financeiro! Falo com convicção mesmo, pois nos últimos 6 anos TODAS as pessoas que eu atendi ou conversei sobre investimentos, hora ou outra, caíram!
Até porque, muitos profissionais de investimentos se utilizam dessa ilusão para te direcionar para onde eles bem entenderem, geralmente, infelizmente, para benefício próprio, visando alguma meta de captação, venda de produto, entre outros.
Nesse momento atual de mercado, desde 2022 basicamente, onde tivemos o retorno da taxa básica de juros no país para 2 dígitos (atualmente 15% ao ano), a ilusão de ótica do mercado come solta! Gerentes de banco, principalmente, adoram utilizá-la. Mostrando a janela dos últimos 12 meses, onde o CDB do banco, que acompanha 100% da taxa básica, rendeu “muito” acima das carteiras diversificadas, descorrelacionadas, e de fato alinhadas com o perfil do cliente.
Por suposto, carteiras bem alocadas, diversificadas, tem ativos de renda variável, alternativos, exposição cambial, que nas janelas mais recentes, alinhado ainda a um cenário de juros brasileiros extremamente alto, não conseguiu performar melhor que o produto mais básico e simples de qualquer banco: o temido CDB pós-fixado 100% do CDI com liquidez diária (a turma adora falar assim para valorizar o passe), mas é nada mais do que aquela aplicação com resgate imediato que rende a taxa básica de juros do país.
Eu já escrevi sobre isso em um passado e até gravei conteúdos curtos, pois adoro esse tema, e já vi verdadeiras atrocidades sendo feitas com a ilusão de ótica em diversos clientes desavisados. Não se engane, isso é muito fácil de se utilizar até mesmo contra pessoas que conhecem sobre investimentos, tem formação, e são inteligentes, é muito sutil e fácil de conduzir em um papo.
Para ilustrar o que estou falando, trago duas imagens de produtos de investimentos abaixo para sua avaliação.
Olha a evolução desse gráfico abaixo de um ativo de investimento, você investiria nesse ativo olhando um histórico assim? Ou até se tivesse investido e o seu gerente te mostrasse isso dando um pitaco de que talvez estaria na hora de sair da posição, você acataria e venderia olhando o histórico abaixo?

Agora olha esse outro gráfico aqui, melhor? Agora sim você investiria?

Acontece que esses ativos são o mesmo nas duas imagens, mas a primeira tem um período especifico, em que ele performou mal, já a segunda pega um horizonte bem maior, que faz muito mais sentido para o ativo em questão. Além disso, utilizei cores diferentes propositalmente, a vermelha para passar uma mensagem negativa, e a azul para passar uma positiva.
O ativo em questão, para quem não conseguiu se atentar aos detalhes da imagem, é o Bitcoin. Nem um pouco enviesado (imagina), escolhi “aleatoriamente”. Quem leu a ultima news sobre o ciclo do Bitcoin deve ter respondido que compraria o Bitcoin na primeira imagem a US$ 16.000. Que saudades… Mas isso vale para qualquer ativo de investimento, qualquer fundo de investimentos ou carteira de investimentos.
Tendo gráfico de evolução patrimonial, tem ilusão de ótica na jogada.
Veja, até as cores são utilizadas propositalmente. O recorte é preciso e é feito na ponta do dedo para te passar a pior situação possível. Imagina ter Bitcon por quase 2 anos, ter visto uma perda máxima (drawdown) de -70% e ainda estar negativo na posição. Se não foi bem alocada, sem objetivo, sem rebalanceamento, o assessor não precisa nem ser bom comercialmente, ou talvez não precise nem da “forcinha” do gerente, você vai ceder!
Mas o mesmo ativo, 2 anos para frente, da primeira imagem, simplesmente dobrou, 100% de ganho de capital.
Ou seja, no primeiro exemplo desse texto, do gerente comparando a sua carteira com o CDB pós do banco, muito provavelmente ele desconsiderou o passado, onde a carteira performou muito acima da taxa básica, e claro, não te falou do futuro, onde uma carteira bem estruturada, bem alocada, voltaria a trazer uma rentabilidade acima da taxa básica de juros de igual maneira.
A ilusão de ótica do mercado se utiliza do horizonte de análise que o seu emissor quiser. Ou seja, quem está te apresentando a evolução de um fundo, um índice, ou uma carteira, escolhe o período que melhor lhe convém para te passar uma mensagem de investimento ou desinvestimento.
Nesse sentido, como já citei, vejo muita desinformação, de profissionais mal intencionados, querendo fazer você levar o seu patrimônio para lá ou para cá, criando um sentimento de perda de tempo, de escolha errada, sendo que no fundo você está bem alocado, só não alinhou o horizonte de investimento com aquele produto em questão.
Sim, diferentes aplicações possuem horizontes (tempo) de investimento distintos.
Não adianta investir no próprio Bitcoin, e esperar um retorno positivo em 1 mês, ou achar que 1 ano é longo prazo. Você pode até dar sorte, coincidir com o ciclo de mercado, mas não esta correto assumir essa premissa no momento da aplicação.
Para tornar isso um pouco mais tangível, posso te ajudar a classificar o que é curto, médio e longo prazo:

Até 1 ano de aplicação: curto prazo
Entre 1 e 5 anos: médio prazo
Acima de 5 anos: longo prazo
Posso criar um texto somente sobre horizontes de investimentos, pois esse entendimento e essa classificação fazem toda a diferença!
O fato é que, o ativo tem que ser visto com a janela que o seu horizonte de investimentos pede. Uma alocação em um CDB pós de banco pode ser visto em uma janela de 1 ano, 3 meses, já um investimento em Bitcoin não! O investimento em Bitcoin pede um horizonte de investimentos de longo prazo, logo, no mínimo janelas de evolução de mesmo prazo.
Carteiras também seguem essa mesma lógica, baseadas no perfil de investidor e nos objetivos combinados antes da alocação patrimonial. Não adianta ver os últimos 12 meses de evolução de uma carteira de um investidor mais arrojado, que tem objetivo de investimento para aposentadoria, onde no mínimo serão 20, 30 anos pela frente ainda!
A ilusão de ótica vale para qualquer aplicação que tenha volatilidade (oscilação), sejam elas: ações, moedas, cripto e até mesmo renda fixa. Sim, renda fixa também tem volatilidade, ou seja, também oscila! Get used to it. Falaremos disso também em outra ocasião.
Quanto maior a volatilidade de um ativo, maior a chance de te iludirem com a ilusão do mercado! Quanto mais difícil o momento de mercado, maior a chance de te enganarem, voltando os seus olhos e comparações para a renda fixa, e seus ganhos atrelados à taxa básica. Ou melhor, agora, maior era a chance!
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Te espero no próximo texto!
Grande abraço.
frw
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Excelente artigo! De fato as análises temporais são muito utilizadas para manipular as informações e precisamos estar muito atentos! Obrigado por compartilhar essa visão conosco.
Obrigado meu amigo!