1. O dilema da diversificação perfeita
Em anos trabalhando com a montagem de carteiras eficientes e eficazes para clientes, é comum me deparar com um dos maiores dilemas de quem já possui um conhecimento básico em investimentos: como diversificar a carteira da melhor forma possível?
A questão é pertinente e deve ser levada muito a sério na hora de escolher onde alocar o seu capital. O princípio básico é ter a noção de quais são os riscos envolvidos e entender quais deles são controláveis ou não.
Uma das formas mais tradicionais de controlar determinados riscos é, justamente, diversificar a carteira com ativos que respondam de maneira diferente aos diversos cenários econômicos. Porém, é preciso ter cautela: diversificar demais pode trazer uma redução do potencial de geração de alfa (retorno acima da média) da carteira. Ao mesmo tempo que uma super diversificação protege contra quedas acentuadas, ela também impede que os ativos vencedores façam a diferença necessária para alavancar seus ganhos.
2. Riscos sistemáticos vs. Não-sistemáticos
Para investir de forma inteligente, é vital compreender as duas principais categorias de risco no mercado financeiro:
- Riscos Não-sistemáticos: São aqueles exclusivos de uma empresa, setor ou negócio específico. Eles podem ser controlados e mitigados por meio da diversificação adequada (por exemplo: investir apenas em ações do setor de tecnologia expõe a carteira ao risco não-sistemático desse setor).
- Riscos Sistemáticos: São considerados riscos gerais, que podem afetar um mercado inteiro ou até mesmo a economia global (como crises institucionais, pandemias ou choques de juros). Dificilmente conseguimos escapar desses riscos com a diversificação — o máximo que podemos fazer é amenizá-los.
3. Como identificar os níveis de risco
Para entender se o risco que você está assumindo é sistêmico ou não, basta analisar em qual nível o seu investimento se encontra. Em termos estruturais, os níveis de risco funcionam em uma escala que vai do micro ao macro:
Empresa/Ativo > Setor > Mercado/País > Economia Global
4. A verdadeira essência da diversificação
Saber quais são os riscos e como controlá-los na medida certa é fundamental para uma construção de carteira mais assertiva e resiliente.
Diversificar não significa simplesmente comprar muitos ativos aleatórios. Significa combinar investimentos cujos riscos específicos se compensam entre si. O objetivo é reduzir aquilo que pode ser controlado, sem abrir mão de um bom potencial de retorno.
Tudo isso, claro, tendo sempre em mente que o risco estrutural ainda existe e que tempos — e resultados — ruins podem acontecer. O segredo é estar preparado para eles.
